quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Clientes, clientes...

Quem trabalha com criação sabe muito bem o que é cliente.
E que não existe apenas um tipo de cliente. Vejamos quais são eles:

1. O Cliente Prático
Quanto te contrata, traz referências e exemplos do que ele precisa. Em uma semana o trabalho está pronto e bem-resolvido. Paga na data combinada e não discute. Essa é uma espécie muito rara de cliente. Diria que está em extinção, infelizmente.

2. O Cliente Indeciso
Traz referências e sabe o que quer, mas pede a sua opinião o tempo todo. Quando finalmente decide e o trabalho está prestes a ser concluido, ele tem um insight no chuveiro, ou a filha de 5 anos dá uma opinião e lá se vão semanas de trabalho pra lata do lixo. Essa espécie de cliente é a mais comum. E está espalhada pelo mundo, não há como fugir.

3. O Cliente Desconfiado
Já na contratação fica perguntando: "Mas e se eu não gostar do seu trabalho?" ou " E se não sair do jeito que eu quero?" Ao serem apresentados os primeiros layouts, começa a enchurrada de perguntas: "Não tá muito parecido com o concorrente?" ou "Essa imagem não vai dar problema com os direitos humanos?" ou "Vamos ser processados porque a cor do produto não é exatamente essa?" ou pior: "Será que vão roubar nossa idéia?". Essa espécie de cliente requer que você estude muito bem os argumentos antes de apresentar o layout. É um trabalho conjunto de designer e advogado numa só pessoa. Pelo mesmo preço, óbvio.

4. O Cliente Pobre
Na reunião mostra toda a linha de coisas que quer fazer. Logomarcas, embalagens, PDV e anuncios. Muito entusiasmado porque o produto dele é fantástico e vai vender como água no deserto. Depois de passado o briefing, ele diz: "Então...eu adoraria fazer isso tudo com você. Mas não tenho dinheiro! Dá pra fazer de graça?". Essa espécie de cliente a gente adoraria que sumisse do mapa, mas infelizmente, é uma praga sem remédio.

5. O Cliente Enganador
Depois do briefing passado e de alguns dias de trabalho, o cliente olha para seu trabalho e diz todo animado: "Nossa, ficou lindo! Era isso mesmo que eu queria!! Parabéns!" Passam-se dez segundos e ele arremata: "Só troca essa letra por uma mais gordinha e muda essas cores pra algo mais alegre. E coloca também um desenhinho aqui...daí fechamos!". Essa espécie de cliente está aí pra provar que alegria de designer dura pouco.

6. O Cliente Mau
Depois de uma reunião extremamente longa e detalhada, o trabalho parece que vai nascer sem nenhum esforço. Afinal, o cliente explicou muito bem tudo que ele queria, timtim por timtim. Apresentados os vinte layouts, vem o veredito: "Não gostei de nada. Quero mais opções." E você quase querendo sentar e arrancar os cabelos, diz muito educadamente: "Você por gentileza, poderia dizer em qual direção quer seguir, ou se quer alguma coisa diferente disso?" E ele, categórico: "Não sei. Só sei que não é isso que eu quero." Essa espécie de cliente anda disfarçada de Cliente Prático. Mas na hora do bote, tira a camuflagem. Lobo em pele de cordeiro. Cascavel. Exu. E por aí vai.

7. O Cliente Carente
No mesmo dia já ligou três vezes pra saber como vai indo o trabalho, se a gente precisa de mais alguma referência. Tem algumas alterações pra fazer, mas faz questão de vir até a agência e sentar bem pertinho do designer pra acompanhar as mudanças. Além de ficar colocando o dedo na tela do seu iMac, emporcalhando tudo. Vai embora e dali a 20 minutos liga de novo pra dizer que adorou trabalhar junto, e quer marcar outra reunião. Essa espécie de cliente é bem mais comum do que se imagina. De cara já da pra perceber que é um grude. Pior: gosta de ficar amiguinho do atendimento. E sem poder fazer nada, o atendimento é obrigado a almoçar, jantar e tomar cafezinho com o cliente. O tempo todo.

8. O Cliente Tadinho
Se tem um cliente que eu morro de pena, é o tadinho. Geralmente é alguém pequeno, que está começando um negócio, mas tem a perfeita noção de como fazer as coisas direito e procura os profissionais especializados para isso. Tem uma verba (contada, mas tem), é extremamente educado, pede por favor e diz obrigado mil vezes. Deposita todas as suas expectativas no pobre designer, que invariavelmente fica com cara de caneca diante de tanta gentileza e amabilidades.
O designer, por sua vez, lotado de trabalho e sem nenhuma paciência no final da semana, rabisca qualquer coisa e manda por email pra ele ver. Daí vem o golpe mortal. O cliente liga radiante de felicidade e diz que adorou tudo, que a agência é a melhor do mundo e que vai fazer o pagamento imediatamente e ainda mandar um presentinho de agradecimento. É nessa hora que o designer chora arrependido. Essa espécie de cliente é muito rara, e se achada e detectada com antecedência, merece tratamento de rei.

9. O Cliente Louco
Ele começa a reunião contando todas as histórias de doença na família. Pergunta dez vezes quem é o atendimento e quem é a criação. Acha o portfólio da agência muito bom e pergunta: "Mas como é que vocês fazem isso?" Passado o susto do primeiro encontro, vem as correções no layout. Geralmente são coisas mirabolantes, disparadas rapidamente e sem dó: "Então... pega a foto dessa mulher, troca a cabeça, pega a mão da outra e coloca uma maçã no lugar."
A gente faz, fica visivelmente um Frankstein. Assassinato em Photoshop. Ele olha, olha, olha e diz: "Mas não parece que ela tá voando? Coloca um chão aqui!". Aliás, tudo pro cliente louco tá voando. Uma pêra mal posicionada parece um anãozinho barrigudo e a logomarca parece que está esmagando a pessoa na foto. Todas as coisas tem que ter o seu tamanho real e tem que estar apoiadas em alguma coisa. E o pior de tudo: "Pagamento? Eu já não te paguei??". Essa espécie de cliente sofreu uma mutação genética não identificada. Fique longe.

10. O Cliente Burro
No primeiro contato com esse cliente é importante explicar o que você faz muito bem explicadinho. Você diz: "Nós fazemos design de embalagens" e ele replica: "Vocês fazem caixa de papelão?" ou "Vocês desenham e imprimem também?" ou "Mas a sacola vocês também fazem?". Não tente explicar nada sobre softwares. É uma luta em vão. Risque do seu vocabulário as palavras Pantone, Reserva, Faca Especial e Mock-Up. Se ele não entendeu ainda o que você faz e como você trabalha, comece a explicação pelo Big Bang do Universo. E boa sorte. Essa espécie de cliente é uma sub-raça que deveria estar fazendo qualquer outra coisa, menos conversando com você.

Em nome de todos os profissionais de Criação e Atendimento, esse foi o meu desabafo.
Em especial para Silvia, minha irmã, sócia e Atendimento:
"SHE WORKS HARD FOR THE MONEY"

Um comentário:

Teca disse...

11.Faltou O(A) CLIENTE AMIGO(A)... Acho que é a pior espécie dentre todas Rê, embora tenha encaixado feito luva à minha pessoa (rsrsrsrsr)... Vixi, meu pai era profissional liberal e desde guria já escutava minha mãe "businando" na orelha do 'coitado'.: " - Vc precisa cobrar, é o seu trabalho.." Aquele(a) que sabe só 'assim por cima' o que vc faz.. Mas te admira pq conhece como nguém sua personalidade, habilidades e talento... (E TE ADORA MUITOOOOOOOOOO), aí, pq tem liberdade total e afeto incondicional... liga pra vc com 'cara de paisagem' pra pegar dicas, perguntar como se faz um Blog por ex (rsrsrss).. E se mostra tão leigo e 'incompetente' que vc fica "com dó" e acaba fazendo um super trabalho linndooooooooooooo e se recusa a cobrar pq é seu amigo(a) e, numa mistura de um pouco de todas as características dos clientes brilhantemente (acima) citados por vc, qdo resolve te encontar pra te dar um "presentinho" ao menos, vcs ficam brincando de esconde-esconde... rsrsrs. 'Ei, Rê, borboletas é assunto 'proibido', quero listrinhas cor de rosa!' rsrsrsrs... Qquer semelhança é mera coincidência.. ! rsrsrs Love U my best.... Caraca, vc é incrível anyway................ Profissional renomada e caráter ilibado. amo vc... Bjos pra Sil too. Sua cliente amiga, rsrsrs