quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Carta ao Cliente

Querido Cliente,

Eu sei que você é pobrezinho. Que você não tem dinheiro, e por isso, me pede um desconto.

Veja bem, querido cliente: a sua empresa manda produtos para todo o Brasil e aonde quer que eu vá, em todo e qualquer supermercado, vendinha, biboca, está lá o seu produto.

Mas isso não significa que você tem lucro, oh não! Você vive na pindaíba, pedindo dinheiro pra Deus e o mundo, sem a menor condição de pagar suas contas, seus funcionários, a conta de luz da sua fábrica e os anúncios que você coloca nas revistas. Realmente, você não tem dinheiro para pagar nada disso.

Em nome do nosso relacionamento que sempre foi tão bom, eu olho a tabela de orçamento que preparei com tanto carinho para você e penso: como posso melhorar este preço para que meu pobre cliente possa melhorar suas embalagens?

O preço do meu trabalho está pela hora da morte, eu sei. Eu sou caríssima. Eu sou tão cara que posso quebrar sua frágil empresa com o preço que cobro por uma logomarcazinha, um designzinho, uma firulinha pra ajudar você a vender o seu produto.

Por isso eu peço desculpas, querido cliente. Me desculpe mesmo. Eu sou o investimento mais injusto que você faz pela sua empresa...chega a ser uma maldade de proporções bem maldosas.

Toda vez que lhe faço uma visita, tudo ao meu redor me diz que você está praticamente falido, e eu morro de pena. Então eu faço um descontinho pequeno, que vai sacrificar um pouco o pagamento do meu plano de saúde, ou dos remédios que tenho que tomar pra diabetes e hipotireoidismo. Mas isso não tem a menor importância para mim. Eu faço esse sacrifício com um sorriso nos lábios pois sei que este dinheirinho que a sua empresa está economizando será usado para um bem maior.

Não vamos esquecer também da forma de pagamento. Porque se você pagar tudo de uma vez, eu fico mais rica que a Griselda e você vai morar debaixo da ponte. E este fato me corta o coração, então você pode dividir o pagamento em cinco vezes. Tá bom, seis.

Ficamos assim combinados.

Eu fiz um descontinho e parcelei o pagamento, em nome da nossa amizade e anos de trabalhos bem feitos e entregues sempre no prazo. E também porque eu tenho realmente muita pena de você. Espero de verdade que você não tenha que fechar as portas.

Chorando lágrimas de sangue, assino:

Sua designer.


terça-feira, 4 de outubro de 2011

Mosaico "A Noite Estrelada" de Van Gogh


Este é o trabalho mais difícil que fiz em mosaico. Mas está pronto.
Starry, Starry Night...

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Sushi-Deprê

Ontem eu e a minha irmã estávamos com muita vontade de comer comida japonesa.
Escolhemos um delivery chamado Flying Sushi.

Sabe aquela sensação de filme ruim que a gente tem que assistir até o final?

Fiquei literalmente deprimida ao provar a comida do Flying Sushi. Aquilo não é sushi. É um pedaço de peixe em cima de um bolinho de arroz.

Um sushi bem feito e um sashimi de boa qualidade elevam o estado de espírito de quem os prova.

Nunca mais peço o sushi-deprê do Flying Sushi. É uma ofensa à arte da gastronomia japonesa.

Warui sushi. Watashi wa sore o nikunda.

sábado, 16 de julho de 2011

Ivete me persegue!

Não tem um dia, um diazinho sequer, que eu não veja a cara da Ivete Sangalo, ou não escute a sua voz irritante em alguma musiquinha.

Na propaganda do iogurte, tintura para cabelo, bronzeador, Chocolate, Shampoo, Esmalte...o raio que o parta, tá lá a cara da Ivete.

Se eu quiser procurar alguma coisa nas Lojas Americanas, tá tocando alguma música da Ivete.

Se eu quiser procurar algum DVD em alguma loja, tá lá o DVD da Ivete.

Se eu quiser comprar um pé de alface no supermercado, tá tocando Ivete.

Eu não aguento mais a cara da Ivete, a voz da Ivete, o nome da Ivete.

A Ivete me persegue.

Abri uma revista para distrair minha cabeça e adivinha o que?

IVETE! DE NOVO!



Morri....


sexta-feira, 27 de maio de 2011

Que Marravilha!


























Minha participação no "Que Marravilha" do GNT foi muito engraçada!
Quem quiser ver, basta acessar este link!

http://gallery.me.com/renataerlichman#100626

Que Marraviiiiiiiilha!


quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Lara Cameron
























Pra quem nunca leu nada do Sidney Sheldon, aí vai meu comentário:

- Que pena.

Eu já li praticamente tudo dele. Aviso: não é literatura. Não é Gabriel Garcia Marquez. Não é Saramago.

Sidney Sheldon é Sidney Sheldon e ponto final.

E como o livro "Escrito nas Estrelas" foi o primeiro Sheldon que li, tenho uma fascinação fora do comum pela heroína, Lara Cameron.

Pequei o livro e resolvi ler porque gostei da ilustração da capa. Principalmente essa figura feminina com ares de final dos anos 60, maquiagem, cabelo, jóias, cassino.

Fui seduzida por Sheldon e por Lara Cameron. Depois vieram outras heroínas.

Mas essa foi especial. Recomendo.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Amo/Odeio

Amo lavar o cabelo. Odeio secar.

Amo passar bronzeador. Odeio passar hidratante.

Amo fazer mala. Odeio desfazer.

Amo cozinhar. Odeio lavar panela.

Amo comer salada. Odeio TER que comer salada.

Amo cerveja. Odeio cerveja sem álcool.

Amo tomar banho antes de dormir. Odeio acordar e ter que tomar banho.

Amo camisola. Odeio pijama.

Amo arroz. Odeio arroz integral.

Amo me maquiar. Odeio tirar a maquiagem.

Amo dirigir em estrada. Odeio dirigir em São Paulo.

Amo cinema. Odeio o povo que vai ao cinema.

Amo música. Odeio música ruim.

Amo quando meu intestino funciona direito. Odeio quando ele quer funcionar fora da minha casa.

Pronto, falei.


segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Sangue e Pudins

Eu tenho a estranha mania de achar que todos os objetos contam histórias.
Principalmente imagens. Pinturas e fotografias que não têm outra alternativa a não ser a de ficar calados esperando alguém que conte a história.

Uma pintura em particular sempre me interessou. Durante muitos anos entrei por aquela porta, dei alguns passos e na primeira parede à esquerda, lá estava ela.

Uma menina que segura uma tigela branca.

Me recuso a acreditar que seja apenas isso…uma menina que segura uma tigela branca. Embora o artista que tenha pintado este quadro tenha provavelmente dado um título semelhante. “Menina com tigela”.

Olhando para a fotografia que tirei do quadro, começo a imaginar o que realmente se passa ali.

Pela roupa e pelo corte de cabelo, a história da menina se passa no início dos anos 20.
Uma menina, sentada em uma cadeira que está colocada em uma varanda, pois vejo uma folhagem.

A varanda é de uma casa brasileira, em algum mês quente. Mas a menina loira e branca é filha de estrangeiros.

Seu nome é Josephine e está segurando uma tigela vazia, ou quase vazia. Durante anos tentei desvendar a expressão em seu rosto infantil. Acredito que esteja aborrecida com alguma coisa. Seu olhar é baixo, mas os olhos ainda estão abertos. Portanto, não está dormindo. As crianças que dormem têm uma expressão de paz no rosto. Josephine está aborrecida.

Sua babá inglesa lhe preparou um mingau insosso, o qual terá que terminar para que vá brincar no quintal. Sempre uma condição. Sempre um senão.

Pelo que vejo, na tigela branca também há um talher. Provavelmente é uma colher. A colher repousa inanimada. Josephine não tem fome, não quer comer o mingau de aveia com gosto de babá inglesa. Ela quer brincar no quintal onde o sol das onze horas da manhã bate choroso.

Falta pouco, mas Josephine não consegue terminar o mingau. Seus braços magrinhos indicam que não é uma criança que goste muito de comer. Josephine gosta de brincar com suas bonecas de pano que aguardam o término do mingau-sem-fim.

A interpretação desta pintura fica vagando na miha cabeça sem ter muita solução. No meio do caminho, eu mudo de idéia.

Josephine já comeu seu mingau e já não tem fome. Está triste porque agora pensa nos pobres que nada têm para comer.

Ou então, naquela tigela havia um pudim maravilhoso, delicioso, um pedaço do céu. Algo tão sublime que quando termina nos deixa tristes.

Mas então eu penso: não se come pudim em tigela.

Vou deixar a história assim por enquanto. Como não sei o nome do quadro, dei o título de “Sangue e Pudins”. Esse é o titulo de uma música do Fagner, cantada pela Simone. Vi a faixa no disco e resolvi ler a letra.

E a letra nada explica sobre sangue ou pudins.

É como esta pintura. A menina não explica porque está aborrecida.
E pra falar a verdade, acho que não quero saber.
Cada um sabe do mingau que tem na própria tigela.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011